Manuel Serrão

Nº de Artigos: 421
Jornais: Jornal de Notícias

1. O ano da morte da má-língua

É Natal, já ninguém diz mal? Se fosse só no Natal que já ninguém dissesse mal, tudo seria normal. O problema é que o balanço de 2016 mostrou-nos que progressivamente se foi sentindo que já ninguém dizia mal de nada, nem de ninguém. A primeira pergunta que ocorre fazer numa situação destas é sacramental: será que já ninguém diz mal de nada nem de ninguém, porque está tudo bem e só há gente bestial? Como sabemos, infelizmente, estamos muito longe de poder responder sim a esta pergunta.

Escrito por Manuel Serrão | Qua, 28 Dez 2016
2. Andamos a dormir na forma

Depois do massacre de Nice no verão escaldante francês, as proporções atingidas pelo ataque terrorista à feira de Natal de Berlim mostram que andamos todos a dormir na forma.

Escrito por Manuel Serrão | Qua, 21 Dez 2016
3. Os lesionados do BES

Uma lesão pode provocar um lesado ou um lesionado. Para o povão, lesado é aquele que foi prejudicado na carteira e lesionado o que foi vítima de uma lesão no físico. Em Portugal sempre foi mais fácil (sobretudo mais fáceis) de encontrar os lesionados, até porque os verdadeiros lesados quase não existiam antes do 25 de Abril. Ou se existiam, não abriam bico... Cala-te boca.

Escrito por Manuel Serrão | Qua, 14 Dez 2016
4. Contra a maioria, votar, votar!

Aquilo a que acabamos de assistir em Itália com a derrota clamorosa de Matteo Renzi é apenas mais uma confirmação da tendência que se tem vindo a acentuar nos últimos anos e nos diz que o povo europeu não está inclinado para governos maioritários. Depois do que aconteceu em Portugal e Espanha, o exemplo italiano veio mostrar que nos tempos que correm as soluções estáveis são vistas pelo povão como desestabilizadoras. A estes exemplos poderíamos somar as trapalhadas constantes da Bélgica e em França só há maiorias aparentemente estáveis à custa de um sistema presidencialista que as arranja à força, impondo a segunda volta. Descontando a Alemanha, que há muitas décadas mostrou sempre ter um feitio especial, que vai variando entre o especialmente mau e o especialmente bom, o resto dos países europeus que estiveram na base da União Europeia revelam uma dispersão de voto que, aliada a uma abstenção galopante, não augura nada de positivo em termos de estabilidade para os próximos anos.

Escrito por Manuel Serrão | Qua, 7 Dez 2016
5. A ″lula″ do Carvalho

Depois do caso Lula da Silva, temos agora o caso da "lula" do Carvalho. Há quem pense que no mundo do futebol vale tudo. É curioso que a maior parte das pessoas com quem me tenho cruzado na vida pensa assim, não pertence ao mundo do futebol. Como costumo dizer, são aquele tipo de pessoas que vai ao futebol para ver a "banda passar". Bem ao contrário, as pessoas que tenho conhecido no mundo do futebol são pessoas que acham que é preciso fazer tudo para ganhar, mas neste fazer tudo não se inclui o vale tudo. Porque de um jogo se trata, neste fazer tudo que vale, podem incluir-se golos marcados com a mão, golos mal validados, treinadores surripiados aos adversários, contratos habilidosos com jogadores e empresários, comissões generosas para "fulano e sicrano", rezas, mezinhas e bruxarias de vários tipos, discussões inflamadas, empurrões e "chegas para lá", rasteiras e carrinhos, pontapés no chão e pontapés no ar, apanha bolas amestrados e árbitros mimados. Mas não vale tudo.

Escrito por Manuel Serrão | Qua, 23 Nov 2016
6. Populista, com muito gosto

Começo a crónica de hoje com uma ligação em direto à proverbial sabedoria da Porto Editora. Populismo - Doutrina ou prática política que procura obter o apoio popular através de medidas que, aparentemente, são favoráveis às massas. Aparentemente sem moralizar, como cantava o Rui Reininho no magnífico concerto onde festejei com os GNR 35 anos de boa música portuguesa.

Escrito por Manuel Serrão | Qua, 16 Nov 2016
7. A coisa pública

Caixa Geral de Depósitos. Questão da obrigatoriedade da declaração do património e rendimentos dos seus novos administradores. Parece um problema novo do Banco (não do Novo Banco, credo!), mas é o problema de sempre. Uma coisa é a coisa pública, outra bem diferente é a fazenda privada. Se nenhum privado deseja ou sonha com uma gestão pública das suas empresas ou patrimónios, também não é coisa fácil sempre que o setor público reclama a gestão privada das suas pessoas e haveres. Independentemente da polémica pública e político-partidária que por aí anda, eu dividiria este problema antigo em dois patamares. Dois patamares que convocam dois tipos de enunciados problemáticos e evocam duas ordens de razões e pensamentos. Por um lado, temos na base a questão de recordar a toda a gente que a Caixa Geral de Depósitos é uma empresa pública. Diga-se o que se quiser sobre a sua natureza formal ou sobre o seu estatuto regulamentar, quando falamos da CGD estamos a falar de um banco que é detido, gerido, alimentado, reconhecido e, de vez em quando, ajudado pelo Estado, que é o seu único e verdadeiro dono. Como é evidente, o Estado é a primeira de todas as entidades públicas que existem no nosso ordenamento jurídico e por isso eu diria que entre a Caixa Geral de Depósitos e o Governo, qualquer Governo, não pode existir cerimónia, porque o que tem de existir é confusão. Confusão de interesses e de políticas, sem vergonha nem pudor, sem falsas modéstias e salamaleques, porque um Governo democraticamente eleito tem toda a legitimidade para governar a coisa pública, todas as coisas públicas, entre as quais está obviamente a Caixa Geral de Depósitos. Assim sendo, de cada vez que vejo algum político do Governo ou da Oposição a tentar traçar uma linha imaginária entre o Governo, o Estado e a CGD, digo logo cá para mim que é um político sem jeito para o desenho, porque até o Nuno Espírito Santo, aposto, não se atreveria a fazer um risco a separar duas entidades que pertencem ao mesmo universo.

Escrito por Manuel Serrão | Qua, 9 Nov 2016
8. Insubstituíveis e hipócritas

Se os cemitérios estão cheios de insubstituíveis... os funerais andam cada vez mais cheios de hipócritas. Talvez por isso, hoje, até as revistas sociais, habituadas e inventadas para celebrar alguns dos aspetos mais festivos da vida, têm desatado a aparecer nos funerais para depois publicarem reportagens patéticas com fotos e presenças que em alguns casos devem pôr o cadáver às voltas na sepultura.

Escrito por Manuel Serrão | Qua, 2 Nov 2016
9. Nem se candidata, nem sai de cima

Já se percebeu que o PPD/PSD não está interessado em que exista uma possibilidade de leitura nacional nas eleições autárquicas do próximo ano. Para isso nada melhor do que encolher os ombros em Lisboa e Porto, os dois concelhos mais mediáticos do país, mesmo que não sejam atualmente os dois com maior número de eleitores.

Escrito por Manuel Serrão | Qua, 26 Out 2016
10. Segurança sensacional

Está para nascer uma sociedade civilizada, em que a segurança dos seus membros e a paz de espírito de toda a comunidade não sejam dois dos seus valores fundamentais. Nos tempos que atravessamos, esta segurança e esta paz não se resolvem apenas pela sua dimensão física ou prática, mas importa e muito que sejam também uma sensação. Só conseguimos dizer que vivemos num país com uma segurança fabulosa se ela for também uma segurança sensacional. No sentido que temos todos a sensação disso mesmo. Explicando talvez melhor, para que uma sociedade tenha a sensação de viver em segurança e a comunidade possa ter a sensação de viver em paz, não é bastante que essa segurança e essa paz sejam um dado adquirido. É fundamental que nada nem ninguém possa ter motivos, por mais estranhos, remotos ou insignificantes que sejam, para suspeitar que a sua paz e a sua segurança se encontram minimamente ameaçadas.

Escrito por Manuel Serrão | Qua, 19 Out 2016
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