Sempre fui um defensor de Cristiano Ronaldo e há muito tempo que sou um defensor de Fernando Santos também. Rendo-me à riqueza literária da persona do nosso capitão e ponho as mãos no fogo pela honestidade do nosso selecionador. Chamar arrogante ao primeiro é não ser capaz de passar da epiderme das coisas. Admitir que o segundo pudesse proteger algum jogador por estar ligado a este ou àquele agente, expressão apenas de um desejo desesperado de ter alguma coisa para dizer à mesa do café.
Escrito por Joel Neto | Ter, 21 Jun 2016
Domingo, 12 de Junho
Escrito por Joel Neto | Dom, 19 Jun 2016
Quarta-feira, 1 de Junho
Escrito por Joel Neto | Dom, 5 Jun 2016
Domingo, 22 de Maio
Escrito por Joel Neto | Dom, 29 Mai 2016
Sexta-feira, 1 de Abril
Escrito por Joel Neto | Dom, 10 Abr 2016
Quinta-feira, 24 de Março Falamos dela todos os dias. Medimos a distância da porta à janela, vamos buscar cadeiras e pomo-nos a testar disposições. Cada um tem uma ideia diferente: com e sem estrado, a toda a largura do estabelecimento ou apenas da porta para lá, rodeado de uma cerca de madeira, como aquelas picket fences dos filmes americanos, e até de uma corda vermelha, tipo terminal de aeroporto. O Américo anunciou que a venda vai ter uma esplanada, e não há um vizinho menos ansioso do que o outro. Informamos os condutores que vêm da Fonte Faneca que terão de fazer a curva mais por fora. Insistimos com o patrão para comprar um projector para vermos o Europeu. Imaginamo-nos a beber gin com manjericão e frutos vermelhos, rodeados de turistas holandesas - aqui mesmo, nos Dois Caminhos, como se estivéssemos no Chiado. Chove dois dias seguidos e amansamos um pouco. Abre um olhinho de sol e lá andamos de novo: medindo passos, discutindo telas, guarda-sóis. O Roberto já sabe como vai arrodear a urbana. O Fernando anda a estudar cocktails na internet. O Carlinhos propõe-se pintar a porta da minha garagem de branco, para projectarmos os golos do Ronaldo. A minha única condição é que Portugal seja campeão da Europa. Portugal campeão da Europa e uma esplanada nos Dois Caminhos - garantam-me Portugal campeão e holandesas bebendo gin nos Dois Caminhos, e eu até pinto a casa de rosa-choque. Só tenho de encontrar a maneira certa de explicá-lo à Catarina. Talvez não use aquela do Fernando segundo a qual "essas turistas, quando bebem um copo, são estupores para levantarem a camisola". Temo que, quando parar de chover, já tenhamos uma programação com concertos e cinema ao ar livre, ladies nights às quintas-feiros e três campeonatos do Sporting para projectar. Não sei como vai o Américo desenvencilhar-se com tamanha logística. Mas, quanto às turistas, estamos descansados, que o Fernando parece saber do que fala. Sexta-feira, 25 de Março O sino do portão toca o dia inteiro. Estamos a trabalhar e, da primeira vez, esquecidos da Páscoa, quase nos irritamos: "Já começa." Aquele sino toca que se farta, por todas as razões imagináveis - inclusive as boas. Afinal é a Laura, que nos traz um bolo de massa sovada feito pela Iria. Tem um ovinho de codorniz no meio. Apetece-nos logo atirarmo-nos a ele, porque a massa da Iria costuma ser excepcional. Dali a pouco, toca o sino de novo. A Catarina ergue um sobrolho: "Deve ser o vizinho." Vira sair fumo da chaminé, pela fresca. E era o Manuel, de facto: trazia um folar feito pela vizinha Ana, que estivera a cozer até às três da manhã. Chega a hora de almoço e pomos de lado as saladas e os queijos frescos. É feriado, estamos a trabalhar, mas não estamos mortos. E, ainda antes de acabarmos, vibra o telefone: é a Luísa, beirã de gema, a anunciar que vai cozer pançudos - devemos passar lá a trazer alguns. Todas as Páscoas é assim. Começa o tempo da partilha: amigos, conhecidos e vizinhos vão-nos enchendo a despensa de tentações. Felizmente, há tempo para recuperar. Temos pelo menos duas ou três semanas até se iniciarem as promessas do Espírito Santo e começarem a entrar-nos em casa postas de carne fresca, brindeiras e terrinas de sopas. Terça-feira, 29 de Março O Galão já veio buscar o Amante e o Chibante, para os levar para outro cerrado. Gosto de tê-los aqui à minha janela, ruminando contra o frio. Agora só devo vê-los quando a erva voltar a crescer e o Galão tornar a pedir-nos para os pôr cá. Mas talvez estejam lá para cima, para os pastos das Veredas, onde passamos nas nossas caminhadas. O Melville gosta de ladrar--lhes, a mostrar quem manda. Eles condescendem. De qualquer modo, é preciso preparar os Bodos - a prioridade de um boi de desfile, agora, é engordar. Aproveito para perguntar ao Galão que outros nomes se costumava dar às parelhas. Ele aproxima o rosto do meu, com os olhos muito azuis e aquele seu ar de "Costumava e costuma!", e pensa um pouco: - Amante e Chibante. Mondego e Labrego. Lagarto e Picardo. Amado e Codado. Di-los como se os recitasse. Eu coço a cabeça: - "Codado"?! Não será "Cuidado"? - Codado! - ralha ele. - O que é que isso quer dizer? - É o nome do boi. Engulo em seco. - E outros nomes? - Queres mais? É para botares no jornal? - Puxa pela cabeça. - Amado e Querido. Catito e Labrego. Contrato e Ajuste. - Então, mas esses não rimam... - suspiro. Ele aproxima ainda mais o rosto do meu: - Rimam. Faz-se um silêncio. Depois eu pego no telemóvel, para anotar os nomes, e mando vir mais dois cafés.
Escrito por Joel Neto | Dom, 3 Abr 2016
Sábado, 30 de Janeiro
Escrito por Joel Neto | Sáb, 6 Fev 2016
Domingo, 10 de Janeiro
Escrito por Joel Neto | Sáb, 16 Jan 2016
Sexta-feira, 1 de Janeiro
Escrito por Joel Neto | Sáb, 9 Jan 2016