Alberto Castro

Nº de Artigos: 334
Jornais: Jornal de Notícias | Público

11. Prioridades e desigualdades

Sinais? A proposta do Governo de ligar a redução das taxas dos impostos ao desempenho da cobrança faz sentido. Há quase dois anos tinha feito proposta idêntica nesta coluna, no âmbito de uma iniciativa mais vasta a que chamei pacto fiscal. O Executivo fala, agora, de contrato fiscal e centra-se, ao que se percebe, na redução da sobretaxa do IRS. Do mal o menos, desde que o indexante sejam as receitas e não o saldo. Explico. Se o contrato, nesses termos, já estivesse em vigor este ano, teria havido uma baixa da taxa de imposto. Como não estava, a folga foi aproveitada para prolongar a leniência com a despesa pública. No meio disto tudo sobra a hipocrisia de Paulo Portas. Qual é a maneira de reduzir, de uma forma coerente e estrutural, a despesa? Adivinhou! Fazendo ou, pelo menos, começando uma reforma do Estado. Quem era o responsável por dar o pontapé de saída? Adivinhou!

Escrito por Alberto Castro | Ter, 14 Out 2014
12. Desigualdades

Thomas Piketty diz-lhe alguma coisa? Não, não é o capitão da selecção de Sub-19 de futebol (Tomás - sem h - Podstawski), nem nenhum jogador que Porto ou Benfica estejam a pensar contratar. Nem é, sequer, o nome de uma nova estrela de Hollywood... mas quase. Piketty é um economista francês que se tornou famoso com o livro "O Capital no século XXI", agora editado em português. Trata-se de uma obra monumental (cerca de 700 páginas), cuja versão inglesa atingiu o primeiro lugar de vendas da Amazon entre os livros de economia e gestão, estando nomeado, pelo "Financial Times", para livro do ano. Culmina e sintetiza a investigação que o seu autor tem vindo a fazer e que lhe valeu a distinção de melhor jovem economista europeu. O livro tornou-se num best-seller em resultado da conjugação virtuosa entre a actualidade do tema (a desigualdade na distribuição de rendimentos e riqueza) e uma investigação que coligiu dados para mais de 100 anos, procurando identificar tendências estruturais na sua evolução. Ao longo do tempo, com um ou outro soluço, o balanço foi favorável ao trabalho até que, a partir dos anos 1980, a tendência não só se inverteu como se acentuou a concentração no topo, ao ponto de se passar a falar dos 1% (ou, mesmo, 0,1%) mais ricos, quando antes a referência eram os 5 ou 10%. Mais do que a explicação dessa tendência, que envolve globalização e sistemas de financiamento e poder nas empresas, para o que aqui nos traz releva mais o facto de Piketty não ver uma mudança neste movimento que, pelo contrário, tenderia a acentuar-se.

Escrito por Alberto Castro | Ter, 7 Out 2014
13. A conversa do costume

"Lá vem a conversa do costume!". Não por palavras, trata-se de uma pessoa educada, mas pelo olhar, entre o enfadado e o condescendente, percebeu-se ser essa a reacção perante a pergunta sobre quando vinha "cá para cima". Contextualizemos. Trata-se do responsável por uma equipa que gere fundos europeus. Nunca houve uma razão irrefutável para que aquele serviço ficasse em Lisboa, excepto que sempre assim fora. Hoje, com a não elegibilidade da região de Lisboa e Vale do Tejo para o tipo de fundos em questão, só mesmo essa inércia, fundada na tradição, pode justificar a continuidade da localização. Chatinho - a conversa é mesmo a do costume! - insistiu, invocando o facto de apenas o Norte, Centro e Alentejo serem destinatários dos apoios em causa. À guisa de réplica, já incomodada e pouco convincente, foi sugerido ser a maneira de manter a equidistância um argumento a que contrapôs nunca ter estado em causa a independência da equipa e que, se era uma forma de minimizar deslocações dos potenciais candidatos, algures no Centro do país estaria melhor, dado que a grande maioria dos projectos emanariam do Norte e Centro.

Escrito por Alberto Castro | Ter, 30 Set 2014
14. Tocar a reunir

Não é fácil encontrar, numa urbe com uma dimensão semelhante à do Porto, a quantidade e qualidade de equipamentos culturais que a cidade oferece.

Escrito por Alberto Castro | Ter, 23 Set 2014
15. Com amigos destes...

Jean-Claude Juncker terá insistido com os países que integram a União Europeia para que, em igualdade de circunstâncias, nomeassem uma mulher para o cargo de comissário. O Governo fez orelhas moucas ao pedido e indicou Carlos Moedas para o cargo. No parte e reparte, Portugal acabou por ficar com uma pasta menor, em termos políticos imediatos, mas de vital importância para o futuro da Europa. Admito que Carlos Moedas, a quem se reconhece inteligência e capacidade de trabalho, venha a fazer um bom lugar, mesmo quando, à partida, nada o qualifica para a pasta que lhe atribuíram. Visto de fora, é como se Juncker desse uma bofetada de luva branca em Passos Coelho: a pasta parece talhada à medida de Graça Carvalho, que havia sido ministra da Educação e, posteriormente, deputada ao Parlamento Europeu, onde fez trabalho elogiado no domínio da Ciência...

Escrito por Alberto Castro | Ter, 16 Set 2014
16. A viver vamos

Às vezes gostaria de avançar no tempo. Todas estas indefinições e mistérios saturam. Algum dia se perceberá o que realmente aconteceu no BES? Até onde irão as revelações que Ricardo Salgado fatalmente terá de fazer? E na PT? Os actores envolvidos continuarão a representar os seus papéis ou regressarão à sua condição de cidadãos comuns e falarão fora do guião? Como será interessante a vida do historiador económico daqui a uns anos! Ou talvez não. Talvez nunca nada se venha a saber ao certo, deixando ao "diz que disse" a construção de narrativas diversas, tantas quantas as partes e interesses envolvidos. O caso BPN parece paradigmático. Dir-se-ia que se arrasta o suficiente, e conveniente, para que Oliveira e Costa, visto por muitos como o único figurante que poderia vir a desafinar, sucumba à doença que o parece minar. Oxalá que não, mas que parece, parece!

Escrito por Alberto Castro | Ter, 9 Set 2014
17. Não se pode ir de férias

Já não se pode ir de férias! Regressa-se e quando se vai ao banco dizem-lhe que acabou. Não é bem assim, há um banco novo. Conhecidas as circunstâncias percebe-se que, numa terra de brandos costumes e muitos compadrios, talvez só alguém que fez grande parte da sua carreira fora de Portugal tivesse a coragem de tomar a decisão de resolver (é a palavra que se ouve usar e que parece certa já que tanto dá para dissolver como para solucionar - oxalá!) o maior banco privado. Como não podia deixar de ser, há sempre um cobói, do género "se fosse eu", que o ataca, a ponto de parecer que foi Carlos Costa quem cometeu todo o género de ilegalidades. Postos os pontos nos ii, revejo-me nos que se interrogam se teria sido mesmo preciso acabar com a marca BES, ao fim e ao cabo, um símbolo daquilo que Carlos Rodrigues, presidente do Banco BIG, designa, numa entrevista ao "Expresso", por um "grande banco, usado por um sector empresarial muito grande, com que tinha uma capacidade de penetração e de manutenção de relações duradoiras altíssimas". Talvez, na urgência de querer separar as águas, se tenha confundido a dimensão jurídica com a empresarial, com primeira a sobrepor-se à segunda. Talvez se a marca fosse salvaguardada - e a Dona Inércia podia ter dado uma ajuda: para quê mudar? - não fosse necessário andar, agora, com todas estas campanhas de mudança de marca, de cor e de decoração, tanto mais difíceis de compreender quanto se acentua a urgência de vender depressa o Novo Banco. A não ser que se imponha uma condição de manutenção do nome, a racionalidade das despesas não é evidente. Estas são, contudo, preocupações menores quando comparadas com as que ecoam, nos meios empresariais, sobre a continuidade do papel único que o BES tinha no financiamento às empresas (veja-se o que Carlos Rodrigues diz!), em particular às PME. Haveria excessos, talvez a raiar a imprudência, com um rácio de transformação de depósitos em crédito muito alto. A nova administração tem que conhecer os cantos à casa, o que não acontece de um dia para o outro. Certamente, algo vai mudar. Um mês é pouco tempo. É uma situação a seguir com atenção mas que não justifica, para já, as visões catastrofistas que alguns apregoam.

Escrito por Alberto Castro | Ter, 2 Set 2014
18. Alguém paga

Tem ideia de quanto custa ao Estado, em média, um aluno do ensino universitário? Por certo intui que Medicina há-de ser o curso mais caro mas... quanto mais? E, por curso, haverá diferenças entre as universidades? Se sim, qual a razão? É pouco provável que tenha a informação suficiente. Estas coisas não se discutem: a educação é uma prioridade, ponto final. Em resultado, mesmo envolvendo reitores e ministro, a discussão sobre o orçamento é de mercearia, sem ofensa para os merceeiros: precisamos de mais x%; têm de viver com menos y%. Ano após anos, os reitores repetem que não vai chegar, sequer, para pagar salários ao que o ministro responde com uma solene indiferença. Enquanto isso, mais ameaça ou cedência de última hora, nada de substancial se alterou na estrutura da oferta, seja em termos de universidades ou de cursos, como se o Ensino Superior fosse uma excepção a quem a reforma do Estado não se aplicasse.

Escrito por Alberto Castro | Ter, 26 Ago 2014
19. Fatos e factos

": Nota de esclarecimento visando ao restabelecimento da verdade dos fatos". Assim, nem mais nem menos, com os dois pontos a abrir e uma indicação de publicidade paga, se encabeçavam as duas páginas centrais da última edição do "Expresso". Um título enigmático. De que se trataria? Mesmo falando-se de fatos, não parecia que estivesse em causa uma inovação em tecidos, pelo que me passou pela cabeça que poderia ser uma dessas novas modas revivalistas. Talvez uma alfaiataria que tivesse descoberto o figurino original e quisesse repor a verdade dos fatos, tal como eram no início. Um investimento que, certamente, se pagaria com a venda de uma dúzia dessas fatiotas. Curioso, fui ler. Desilusão! Afinal eram duas páginas de um arrazoado, mais ou menos técnico, tentando esclarecer, na versão dos autores, a verdade dos factos (isso: FACTOS) que terão rodeado a subscrição da dívida da RioForte pela Portugal Telecom. Como a dita subscrição terá ocorrido cá, em Portugal, e o esclarecimento, pelo veículo escolhido, nos era dirigido, estão em causa os factos. Se as partes envolvidas vestiam fatos ou calça e casaco ou, se o seu relacionamento era, ou não, terno, pouco importa. Do mesmo modo que, se o esclarecimento fosse dirigido aos brasileiros, não adiantava saber se as partes envolvidas vestiam ternos ou não, desde que se esclarecesse a verdade dos fatos.

Escrito por Alberto Castro | Ter, 19 Ago 2014
20. Ruído e palpites

Durante a semana a Bolsa afunda-se, o governador do Banco de Portugal fala de uma situação resolvida no fio da navalha e os técnicos afadigam-se a fazer contas ao impacto da extinção do BES na economia. Chega o sábado e, a julgar pelo noticiário das 19 horas da Antena1 e da TSF, não se passa nada. Abrem, ambos, com Jorge Jesus a desvalorizar a sua declaração de que, se saísse mais algum jogador no Benfica, ele também saía. Ambos dão extensa cobertura a mais uma manifestação de meia dúzia (perdão, 5 dezenas) de "palpitistas" que os meios de Comunicação Social tradicionais se afadigaram, durante todo o dia, a anunciar que tinha sido convocada pelas redes sociais.... Qual é a aparência e qual é a realidade?

Escrito por Alberto Castro | Ter, 12 Ago 2014
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