Paulo Ferreira

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Newspapers: Público | Jornal de Notícias

11. Três ilações a partir da Escócia

O Reino Unido, a União Europeia, os Estados Unidos da América, o Mundo, enfim, soltaram um sonoro suspiro de alívio, quando, ontem de manhã, se soube que a Escócia não será um país independente. Pelo menos para já, mantém-se no reino da Grã-Bretanha. Há muito que não se via tanta artilharia pesada apontada na mesma direção, tamanho era o medo. Até a duquesa de Alba, coitada, foi usada como trunfo. Saber-se que a senhora poderia ser a rainha da Escócia, caso vencesse o "sim", é susto suficiente para um partidário da independência mudar rapidamente o sentido do voto...

Written by Paulo Ferreira 20 Sep, 2014
12. Cortaram o cravo do António

A peça de propaganda produzida pela equipa que apoia António José Seguro na corrida às primárias do PS é das coisas mais básicas, banais e infantis de que me lembro desde que sigo a política em Portugal. Falo daquela pérola que foi colocada nas redes sociais: um tipo planta, aduba e rega com cuidado um cravo; a flor cresce viçosa; chega um malvado de tesoura em riste e, zás!, corta o cravinho; ouve-se uma voz melíflua: "Gosta do que viu? Está disposto a apoiar um projeto que começa assim?" O malvado, claro, é António Costa, destruidor de cravos, símbolos da liberdade. O bonzinho é António José Seguro.

Written by Paulo Ferreira 16 Sep, 2014
13. Cavaco, Passos e o Novo Banco

A meio desta semana, presidente da República e Governo trocaram uns recados por causa do Novo Banco. Basicamente, Cavaco Silva lembrou a Passos Coelho que o chefe de Estado deve estar na posse de toda a informação relevante sobre este escaldante dossiê, a que o consagrado e influente "Finantial Times" chamou, por estes dias, "o maior colapso financeiro da Europa".

Written by Paulo Ferreira 14 Sep, 2014
14. A seleção e o sentido do absurdo

A seleção não estava a jogar patavina, de modo que, perante o enfado, peguei no livro de Rentes de Carvalho para me desaborrecer um bocadinho. "Portugal, a flor e a foice" é tão cortante quanto desconcertante: numa prosa de luxo, o gaiense emigrado há longos anos na Holanda desfaz, questionando-os, alguns dos mitos da História de Portugal. Do Sebastianismo a Fátima, passando pelos Descobrimentos, pela Monarquia e, sobretudo, o antigo regime e o 25 de Abril, pouco escapa à pena aguda de Rentes de Carvalho.

Written by Paulo Ferreira 09 Sep, 2014
15. O Estado à moda de Carlo Ponzi

É sempre a mesma coisa: lá para junho, julho de cada ano, instala-se uma discussão, entre conhecidos e amigos, sobre o montante de IRS a receber, ou a pagar. Os que pagam queixam-se, por levarem mais um rombo nas finanças. Os que recebem contentam-se, por terem acesso a uma maquia que, por mais pequena que seja, dá sempre jeito para ajeitar as contas caseiras. Todos, ou quase todos, esquecem o essencial da discussão: pagando ou recebendo, integram a legião de portugueses que empresta dinheiro ao Estado a custo zero. Trata-se de um grande negócio. Mas apenas para uma das partes, por acaso a mais forte.

Written by Paulo Ferreira 03 Sep, 2014
16. A minicrise na Câmara do Porto

A minicrise, digamos assim, que se instalou na Câmara do Porto é tributária de uma certa infantilidade política de uma parte dos protagonistas da dita-cuja. O que está em causa é muito simples: os herdeiros de Rui Rio convenceram-se de que conseguiriam passar um mandato inteiro (uma eternidade, em política) sem serem incomodados pelo passado. Sucede que o passado nunca reconhece o seu lugar. Quer dizer: está sempre presente, mais cedo ou mais tarde aborda-nos, confronta-nos. O que se percebe, pelos azedumes noticiados e pela periclitante solução encontrada, é que o passado não permite ao CDS e ao PSD caminhar por entre os pingos da chuva. O que se percebe é que, no futuro, quando todos os esqueletos saírem do armário, o passado será pesado. Provavelmente, muito pesado.

Written by Paulo Ferreira 01 Sep, 2014
17. Agarrem-no senão ele candidata-se

O proto-candidato a primeiro-ministro, ou a presidente da República, ou a outra coisa qualquer que o resgate das funções atuais, demasiado pequenas para o legítimo desejo de conduzir à glória um povo que caminha cabisbaixo e de alma enrugada, tem transformado Rui Rio num extraordinário avatar do típico português que, perante as tortas circunstâncias, grita: "Agarrem-me senão eu mato-o"! A seguir dá um passo atrás e aproveita o recuo para se lançar nos braços de quem, pela certa, não o deixa avançar para o barulho. Convenhamos: não é uma imagem politicamente sadia, esta que resulta das sucessivas intervenções do ex-presidente da Câmara do Porto.

Written by Paulo Ferreira 17 Jul, 2014
18. O Papa, a pedofilia, a teoria

O Papa Francisco recebeu ontem, pela primeira vez no Vaticano, seis vítimas de padres pedófilos, anunciou a Santa Sé. O encontro foi anunciado em maio, mas só agora se realizou, após pressões várias das associações que lidam de perto com as vítimas deste hediondo crime. Sabe-se o que o Papa pensa sobre a matéria: Francisco já disse repetidamente que terá "tolerância zero", ameaçando os prevaricadores com "sanções muito severas". Um padre que abusa de uma criança comete o pior dos sacrilégios, alcança o paroxismo do pecado, é "uma missa negra" nas palavras do Papa. E por isso merece séria punição.

Written by Paulo Ferreira 08 Jul, 2014
19. A criatura que devorou o Estado

O primeiro-ministro defendeu ontem, durante uma visita aos concelhos de Cinfães e de Arouca, o progressivo afastamento do Estado da vida das pessoas, ou das decisões por elas tomadas. Pedro Passos Coelho entende que, "quanto mais o Estado intervém a partir de certo nível, mais recursos tem de ir buscar às pessoas". É uma verdade provada e incontornável.

Written by Paulo Ferreira 06 Jul, 2014
20. Seguro, Costa e o jogo do Wally

É, no mínimo, curiosa a empreitada suscitada pela corrida à liderança do PS: andamos todos à procura das diferenças entre Seguro e Costa, como se estivéssemos em casa, distraídos e despreocupados, à procura do Wally numa daquelas gigantes imagens em que o tipo de camisola e gorro listados de vermelho e branco está algures no meio da confusão. É um exercício divertido, este do Wally, como divertido é tentar discernir o que é que, afinal, distingue os dois socialistas que aspiram a ser primeiro-ministro.Divertido? Sim, divertido, porque quem acredita que Seguro e Costa têm espaço para fugir das banalidades e assim aparecerem ao Mundo como génios que, finalmente e para gáudio dos terrestres, descobriram o caminho para o crescimento económico, acreditar nisso, dizia, vale o mesmo que acreditar na vida para lá da morte. Em ambos os casos, trata-se de uma profissão de fé, sustentada em zero factos.

Written by Paulo Ferreira 01 Jul, 2014
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