Paulo Baldaia

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Newspapers: Jornal de Notícias | Diário de Notícias

1. Portugal merecia mais

Há dois políticos em Portugal na mó de cima. São balões cheios que aguentam e levam ao estrelato ou que acabarão por rebentar? Marcelo Rebelo de Sousa entrou por cima e é no confronto político, em que nunca conseguiu uma grande vitória, que vai ter de provar que vale o que todos dizem que vale. António Costa, pelo contrário, saiu por baixo numa noite eleitoral e, em 24 horas, estava a liderar as negociações políticas que têm tudo para acabar mal.

Written by Paulo Baldaia 11 Oct, 2015
2. Democracia a votos

Por mais degradada que a imagem da democracia esteja na sua cabeça, hoje só tem uma forma de contribuir para que isso mude no futuro. Votando. Para a democracia, pouco importa em quem vai votar. Importa é que, no fim dia, a democracia se tenha consolidado com a maior participação possível. Todos os votos têm significado. No pós--eleições, seja qual for a representação parlamentar dos que hoje vão a votos, precisamos de consolidar o único sistema que nos dá garantia de que o povo é soberano, porque é ele que permite que cada um de nós decida em liberdade. Isso é possível não só com o voto mas também com a participação de todos na construção de uma sociedade que será tão mais justa quanto mais transparente exigirmos que ela seja.

Written by Paulo Baldaia 04 Oct, 2015
3. Coligação 1 - PS 0

A campanha chegou a meio, sem direito a intervalo, e a coligação está a ganhar por um a zero. Percebeu a força das ideias, não perdeu tempo a tentar convencer quem tem ideias diferentes e colocou todo o seu marketing político a tentar demonstrar a falta de ideias do adversário directo. O PS está a perder porque confundiu ideias com números, perdeu-se a tentar explicar as suas propostas e gastou todo o seu tempo a tentar corrigir os falhanços do dia anterior. Este retrato futebolístico de uma campanha que os militantes seguem como quem segue a pré-época do seu clube, só diz isso. Vale o que valem as sondagens, influenciam o andamento da campanha, captam alguns indecisos, mas não determinam em absoluto o resultado de 4 de Outubro.

Written by Paulo Baldaia 27 Sep, 2015
4. Dia 4 anda à roda

Ameaçam governar-nos sem nos dizer patavina do que realmente interessa. Os senhores do PaF dizem-nos que é preciso poupar 600 milhões na Segurança Social e os do PS 255 milhões por ano. Dizem-nos isto e acham que não é preciso explicar mais nada. Não tenho dificuldade nenhuma em pôr-me de acordo com eles sobre a necessidade de cortar despesa, para um dia destes começarem a baixar a carga fiscal, mas já agora preciso que me digam onde vão cortar para eu poder fazer uma opção. E digam-me com números, 35 aqui, 27 acolá... São bons a fazer contas e a defender o rigor, mas não se querem chatear com "miudezas". É na Segurança Social, com as reformas e pensões à cabeça, mas também na política de emprego, que se joga o futuro próximo do país, mas a campanha prossegue como se fosse natural haver uma espécie de programa escondido. Na expressão feliz do Paulo Ferreira, no Observador, "esta é uma eleição entre o cheque em branco que a coligação pede e o cheque de cobertura duvidosa do PS".

Written by Paulo Baldaia 20 Sep, 2015
5. O poder e a humildade

Não há treino que mude a natureza das pessoas. Nesta semana voltou a ficar evidente que o ego dos políticos funciona como funciona o ego de outro cidadão qualquer. Inchando, com excesso de autoconfiança, qualquer um dá um trambolhão pensando estar a dar um passo seguro. Não sei se o problema é dos marqueeteiros políticos se é dos próprios candidatos, mas alguém tem de lhes dizer que, na conquista do poder, o que gera mais confiança é a humildade, não é a soberba. A ideia de que só é humilde quem pode foi, aliás, muito bem expressa por Vergílio Ferreira para quem "não será difícil ser humilde quando se é grande. Difícil é ser humilde quando se é medíocre. Como é fácil ser generoso quando se é rico e não quando se tem pouco". Não estou com isto a querer arrasar os políticos, estou a humanizá-los, a lembrar que eles são como nós.

Written by Paulo Baldaia 13 Sep, 2015
6. Gente como nós, com filhos nos braços

Uma "praga" de migrantes oriundos de África está a deixar alarmada a opinião pública europeia e alguns governos ou não querem saber ou reagem com uma política securitária. É claro que a "praga", como se lhe referiu o primeiro-ministro inglês, é uma questão humanitária da maior importância, a necessitar do melhor da civilização europeia, sem o qual se perdem os que precisam de ajuda e os que podem ajudar. Os números são conhecidos, 300 mil só neste ano, milhares a cada dia que passa. As imagens são inesquecíveis, mulheres grávidas, pais e mães com filhos ao colo ou pela mão, exaustos depois de caminhadas de centenas de quilómetros.

Written by Paulo Baldaia 30 Aug, 2015
7. Alô Marte, daqui Terra

Por mais que eu mude de país, o meu país não muda. Vindo de outras paragens, chego a Portugal com necessidade de procurar informação para escrever este texto e descubro que Sócrates voltou a declarar-se preso político. Fico também a saber que António Costa voltou a apresentar o programa do PS, antes de dar uma entrevista em que avisa que só existirá um governo do Bloco Central se os marcianos descerem à Terra. Entretanto, Maria já é candidata a Belém e há quem veja nisto uma traição ao PS, ao mesmo tempo que Ferreira Leite é vista como amiga. "Morro" de espanto ao aterrar e "ressuscito" espantado por de nada me ter servido a minha "morte".

Written by Paulo Baldaia 23 Aug, 2015
8. A gosto

Estamos em Agosto, será que os nossos cérebros têm necessidade de fazer reset? Correndo o risco de olhar para a árvore (eu) e ver a floresta (todos os outros), tenho de admitir que essa necessidade não só é real como absolutamente crucial. O trabalho não tem de ser um sacrifício, nem a preguiça é boa conselheira, mas há sempre qualquer coisa melhor para fazer do que trabalhar. Estar com a família, conviver com os amigos, viajar, ler um livro, ver um filme, ouvir uma música e tantas outras coisas raramente dependentes de uma grande conta bancária. Se estivermos todos de acordo sobre esta premissa, convém que nos questionemos sobre a razão que nos leva a dedicar infinitamente mais tempo a trabalhar para ganhar dinheiro do que a fazer o que gostamos e nos faz evoluir como pessoas.

Written by Paulo Baldaia 16 Aug, 2015
9. Menos conversa e mais trabalho

Uma pessoa que não tem como ganhar a vida vive uma sensação de impotência e desacredita no futuro. Se essa pessoa tem filhos para criar, só pode viver em desespero. O desemprego é mesmo o maior flagelo de Portugal e, com o que isso significa de pobreza a crescer à nossa volta, é a sociedade como um todo que fica a perder. Adaptando a célebre frase do ditador Josef Stalin, diria que "o desemprego é uma tragédia, meio milhão de desempregados é uma estatística", pelo que discutir estatística é a melhor forma de desumanizar a política.

Written by Paulo Baldaia 09 Aug, 2015
10. Vai haver debates?

Parece que vivemos todo o tempo a enganar-nos uns aos outros e a enganar-nos a nós próprios. Esta longa pré-campanha começou com a promessa de ser a mais esclarecedora de sempre. Promessas quantificadas, propostas escrutinadas, contas feitas, tudo muito bem explicado para que ninguém tivesse dúvidas na hora de decidir. Aqui chegados, vamos de férias e parece que tudo se resume a uma questão de fé. Quem nos oferece mais confiança? Passos ou Costa? Propostas, ideias, qual o quê? O que importa é quem! E este "quem" tende a reduzir-se aos dois de sempre. Há centenas de milhares de eleitores indecisos e nós presumimos que, quando decidirem, vão escolher apenas entre Costa e Passos. Assim se constrói uma bipolarização forçada que, por ter uma componente artificial e mediática, contribui para cansar os eleitores e os afastar do voto.

Written by Paulo Baldaia 02 Aug, 2015
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