Miguel Guedes

No. of Articles: 144
Newspapers: Jornal de Notícias

11. Escreve mais alto, Dylan!

"Something is happening here and you don"t know what is" - "Ballad of a thin man", Bob Dylan.

Written by Miguel Guedes 19 Oct, 2016
12. Corrida contra o tempo

Durante o protesto contra as plataformas Uber e Cabify, as imagens e sons reforçam a já degradada estampa pública do sector, agora sublinhada a traços grossos pelo movimento colectivo em cólera. A simpatia que possamos ter por algumas razões atendíveis dos taxistas dificilmente resiste; esvai-se após 10 minutos de reportagem a quente, no olho do furacão. Ninguém espera que se coma de faca e garfo numa manifestação. Mas com declarações que asseguram que as leis são como meninas virgens destinadas à violação, é altamente duvidoso que possamos confiar um canário de estimação a determinados profissionais. É evidente que tomar a parte pelo todo é um enorme erro de avaliação e que a carteira profissional está longe de ser uma graduação em boas maneiras. Mas é difícil encontrar um serviço que gere (e a cada dia, reforce) tanto descontentamento nos utentes. A assimilação dessa realidade deveria ser, também ela, uma prioridade dos taxistas.

Written by Miguel Guedes 12 Oct, 2016
13. Como perder a memória num ano

Uma lição de democracia parlamentar desabou sobre o país há um ano. A "geringonça" está viva e recomenda-se, podendo brindar a um ano de vida (se considerarmos que há vida no útero), desde que não despeje para os copos o champanhe com que Nuno Melo comemorava a saída em falso da troika.

Written by Miguel Guedes 05 Oct, 2016
14. Falta a Trump aquele 1%

Parte do que falta a Donald Trump é saber calar. Obviamente, faltam muitas outras coisas. Mas após o debate presidencial entre Clinton e Trump, fica clara uma das razões óbvias para as mais recentes sondagens que colocam o candidato republicano alguns pontos atrás de Hillary Clinton na corrida à Casa Branca: muitos americanos que apoiavam Trump já estão cansados dos ataques pessoais, iníquos, à candidata democrata. Em cada minuto do frente-a-frente, não estava só em causa quem ganharia na batalha de lama em que tantas vezes estes debates se transformam.

Written by Miguel Guedes 28 Sep, 2016
15. A casa do Saraiva

Imaginava que o livro de José António Saraiva (JAS) sobre a vida privada dos políticos pudesse ser apresentado por Teresa Guilherme. Mas não. Terá a apresentação de Pedro Passos Coelho. A "Casa dos segredos" mudou de mão e, perante isto e num país decente, Passos Coelho teria assinado em mão o seu suicídio político.

Written by Miguel Guedes 21 Sep, 2016
16. A segunda passadeira vermelha

Vem antes do lobby e dá pelo nome de porta giratória. O fim do ciclo de governação ou o abandono de cargos de máxima responsabilidade tem sido o gatilho para o movimento circular de inúmeras portas de interesses. É frequente na política e legal na maioria dos casos escrutinados. Mas nem esta aparência de que tudo é normal numa terra de cegos, permite transformar um pântano movediço num contemplativo lago de águas turvas.

Written by Miguel Guedes 14 Sep, 2016
17. # sim vai ter Costa

Hoje é o dia que António Costa escolheu para se reunir com o recém-empossado e golpista presidente do Brasil, Michel Temer. A propósito da legítima e desejável representação institucional do país nos Jogos Paralímpicos, o primeiro-ministro português anunciou um périplo de quatro dias repletos de economia e cultura mas decidiu também cimentar as relações de proximidade com o mais recente regime golpista do planeta. O processo de destituição de Dilma Rousseff decorreu na praça pública e o assalto final ao poder por Temer era de tal forma previsível que até tinha data marcada. Não se pode alegar desconhecimento ou imprevidência. E não sendo um caso de inabilidade política, o que está em causa é a vontade.

Written by Miguel Guedes 07 Sep, 2016
18. O Diabo paga IMI

A casa própria, com ou sem vistas para o sol, parece ser a arma de arremesso escolhida pela Direita portuguesa para contar uma anedota sobre si mesma. De certa forma, a propriedade privada não deixa de ser uma escolha óbvia. Mas se a cultura não é um privilégio da Esquerda, o pátio da residência não é uma conquista adquirida da Direita. Em 74, "Liberdade", a primeira canção que Sérgio Godinho cantava em "À queima-roupa", começava pela invocação de nomes em rajada que se confundiam com desejos: "A paz, o pão, habitação, saúde, educação". Depois do "nonsense" de Passos Coelho e Assunção Cristas sobre o IMI das casas ensolaradas (como se uma mudança de coeficiente alterasse o princípio de avaliação), eis que o simulacro da Oposição ressurge pela voz do CDS e do PSD em forma de cruz marcada sobre a cobrança de IMI a edifícios da Igreja Católica. Está visto que das cinco reivindicações de Sérgio Godinho, a Direita ergueu a mão em riste e escolheu, sem pudor, a reivindicação do meio. Se a manutenção da paz esteve vergonhosamente a cargo dos seus aliados, todas as outras palavras estão emolduradas na parede da sala dos horrores do museu da PàF.

Written by Miguel Guedes 31 Aug, 2016
19. Foram as algas

E as folhas no caminho. Foi com uma combinação de factores externos que Fernando Pimenta, campeão europeu de canoagem, justificou o 5.º lugar na final de K1 1000 metros antes de baixar o pano verde e amarelo nos Jogos Olímpicos. Após a prova, interrompeu o choro de desânimo pela necessidade de explicar e logo muitos saltam do sofá onde permaneceram enfiados todo o ano para confundir explicação com justificação. Mas Fernando Pimenta, como tantos outros que se "limitaram" a terminar provas entre os dez primeiros à escala planetária, não tem de se justificar. Sinal dos tempos, muitos dos "desfazedores" de personalidade profissionais das redes sociais não conhecem outra profissão. Não percebem a relevância dos obstáculos inesperados, mas não resistem a retirar do baú o seu passado de prática desportiva durante dez intermitentes meses na escolinha de futebol do tio ou dos saltos para a água a que não têm coragem de chamar mergulhos na piscina de verão que até aparentava ter dimensões olímpicas. É só ler o mundo pelo feed para ir fundo. Parece que todos, sem excepção, estão sujeitos à crítica. Menos os críticos.

Written by Miguel Guedes 24 Aug, 2016
20. Passos em negação

Pontal, Quarteira, Algarve e Portugal na ponta da língua, enrolado por Passos Coelho. O que há de novo? O líder do PSD voltava à festa mas como líder da oposição e não parecia disposto a aceitar que perdera. O discurso encerra a mesma derrota, a mesma visão, a mesma retórica feita dos outros, o passado, o passado, o passado prometedor e o futuro que não será brilhante. Passos Coelho incarna a personagem do derrotado que mais tem reflectido sobre a derrota, a sombra incapaz de subir um degrau acima do vão da escada e traçar horizontes que não o público desejo da derrota de quem procura ultrapassar a austeridade que empobreceu o país à procura de vírgulas nos índices da retoma. Passos afirma não querer ser conivente com os erros dos outros mas é quase definitivo que continua a confundir oposição com desejo de sobrevivência.

Written by Miguel Guedes 17 Aug, 2016
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