Manuel Tavares

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Newspapers: Jornal de Notícias

11. Contas à volta da troika

A troika está de partida e as contas a ser feitas. Mais em função de uma qualquer utilidade que possa ser valorizada eleitoralmente do que propriamente por aquelas "contas à moda do Porto" de que tanto nos orgulhamos. De resto, nestes três últimos anos, o que mais mudou foi seguramente o preço do trabalho, que foi desvalorizando, e também o preço do merecido descanso, que se tornou mais caro para quem se reformou de uma vida de trabalho por conta de outrem. Para além desta magna constatação de facto, talvez valha a pena pensar em que medidas e em que prazos o trabalho poderá ser revalorizado, desde logo em benefício do valor ético, mas também como fator de crescimento económico por via do consumo e de sustentação do modelo de solidariedade por via dos descontos para a Segurança Social.

Written by Manuel Tavares 17 May, 2014
12. O Papa Francisco e as eleições

O Papa Francisco não se cansa de falar da urgência do combate contra a economia de exclusão e a cultura do descarte e da morte que, em sua opinião, caraterizam o atual estado do mundo. Este estado do mundo que o Papa tanto e tão regularmente tem criticado em palavras claras e firmes - e sobretudo moralmente inatacáveis - é, como todos podemos entender, o mundo gerido através de equações financeiras especulativas que ultrapassam em grande escala as premissas da acumulação do lucro consagradas no capitalismo primário. Equações que geraram uma deriva mundial, à qual não resistiram os próprios regimes políticos democráticos da Europa, em princípio os mais preparados em valores humanos, mas que nesta crise retroagiram mais do que estiveram na vanguarda da guerra inevitável aos cartéis mafiosos que conseguiram agrupar-se até em estados-nações, podendo, assim, legalizar o crime e infiltrar "moeda falsa" nos circuitos financeiros do capital limpo, alterando-lhe o valor facial e a própria equação da sua velocidade de circulação.

Written by Manuel Tavares 10 May, 2014
13. Esqueçam que vamos ter eleições

Há muitas formas de ver a mesma coisa, mas no que toca àquilo com que se compram os melões, a melhor perspetiva talvez seja fazer de conta que não vamos ter eleições. É a isso mesmo que parecem convidar algumas medidas e respetivo impacto social inscritas no famoso DEO (Documento de Estratégia Orçamental), proposto para vigorar até 2018, ou seja, para ser aplicado ainda por este Governo, mas também pelo que há de substituí-lo em resultado das eleições legislativas marcadas para o próximo ano.

Written by Manuel Tavares 03 May, 2014
14. Valeu a pena? Sem dúvida

A pergunta é: valeu a pena o 25 de Abril? E a resposta é: sem dúvida. Claro que houve coisas que não correram bem. Porque a realidade nunca abarca todas as esperanças, muito menos concretiza todos os sonhos. Claro que não é difícil elencar os defeitos nestes 40 anos de democracia: desde logo, a demagogia, ou seja, a diferença entre as promessas eleitorais e as políticas realizadas. Mas ainda o clientelismo partidário e, acima de tudo, esse flagelo que todos os dias mina a credibilidade do regime: a corrupção.

Written by Manuel Tavares 25 Apr, 2014
15. A Igreja não deve dar-se à pobreza

A Igreja Católica Apostólica Romana conquistou entre os portugueses um papel especial de partilha espiritual e social, o qual se acentua sempre que cresce o desespero da marginalização e do isolamento. A austeridade dos últimos anos é apenas um novo período em que a fé se pode tornar refém da falta de comida, de dormida e de trabalho. Generosamente, as inúmeras redes da caridade procuram suprir as falências do sistema social que cabe ao Estado garantir, incluindo em tempos de economia de guerra como os que temos vivido. Conhecedora como ninguém do país real, das pessoas e das suas coisinhas, paróquia a paróquia, repousa sobre os ombros da hierarquia da Igreja Católica a enorme responsabilidade de não ceder à tentação de se substituir ao Estado no cumprimento dos deveres básicos consagrados na Constituição da República. Se não o fizer, a Igreja corre o risco de cumplicidade com razões de ordem política que forjam o empobrecimento para melhor dispor de trabalho mais barato e mais conformado.

Written by Manuel Tavares 19 Apr, 2014
16. O trabalho que dá sair do lixo

A manhã de ontem principiou com as velas enfunadas pela notícia de que a Fitch passou a ter uma perspetiva positiva quanto à possibilidade de vir a notar a dívida portuguesa acima do atual escalão de lixo. Mais uma vez, a vontade que temos em sair do buraco foi mais forte do que a necessidade de ler todas as linhas inscritas nessa nota sobre a nova perspetiva da Fitch. E entre elas, as seguintes considerações que aquela agência de notação financeira quis sublinhar: a de que, não se encaminhando o processo para essa hipótese, não restam porém dúvidas de que seria melhor para Portugal poder dispor de um programa cautelar no pós-troika, entre outros motivos porque todos os setores da economia continuam endividados e o desemprego é alto.

Written by Manuel Tavares 12 Apr, 2014
17. O inesperado tiro no pé da Europa

A incursão do presidente da Comissão Europeia pelos meandros da política portuguesa ao longo de uma excelente entrevista de Ricardo Costa, diretor do "Expresso", já consumiu muitas opiniões ao longo desta semana, porém sem terem sido esgotadas as explicações políticas para o facto de Durão Barroso ter atacado de uma assentada José Sócrates, Vítor Constâncio, Manuela Ferreira Leite e Bagão Félix.

Written by Manuel Tavares 05 Apr, 2014
18. Reformas sem polítiquices

Saber se a aplicação da Contribuição Extraordinária de Solidariedade (CES) passa de transitória a definitiva e atingindo com um corte de 3,5 por cento todas as pensões a partir de mil euros e até aos 1800 e não a partir de 1350 euros como chegou a estar definido no Orçamento do Estado para o ano em curso, é no imediato a questão relevante da algaraviada instalada desde que um membro do governo chamou os órgãos de informação para uma sessão de esclarecimento sobre o futuro do nosso modelo de Segurança Social.

Written by Manuel Tavares 29 Mar, 2014
19. Energia, bancos e máfias

A Comissão Europeia decidiu ajudar Portugal e a Espanha a criarem condições para uma melhor interligação no mercado europeu de energia. Antes que esta decisão seja incluída em algum argumentário do debate político para convencimento dos eleitores, convirá sublinhar a coincidência de ter sido a anexação da Crimeia pela Federação Russa o acelerador deste sobressalto da União Europeia em defesa de interesses desleixados sob o antigo pretexto de que o nosso modelo de democracia garantiria tamanha supremacia moral que bastaria exportar tecnologia e respetiva posologia de valores para que o Mundo acabasse submetido ao eurocentrismo.

Written by Manuel Tavares 22 Mar, 2014
20. Um veto contra uma meia-verdade

A percentagem de famílias portuguesas incapazes de suportar qualquer despesa imprevista pulou de 10% para 24% no último ano. Os detalhes não melhoram este quadro negro: no estudo divulgado pela Cetelem, a percentagem de portugueses capazes de suportar uma despesa imprevista num valor até 250 euros caiu a pique: de 26,6% para 9,4%. Não admira, pois, que 30% tenham sido obrigados a cortar em despesas de saúde e 25,4% em educação. Contra factos não há argumentos, a não ser os das manipulações macro em que os cínicos se viciaram para varejar números que pudessem acobertar as suas pessoas e as suas coisinhas.

Written by Manuel Tavares 15 Mar, 2014
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