João Lopes

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Newspapers: Diário de Notícias

11. A cultura dominante

Com a estreia de A Canção de Lisboa, chega ao fim a trilogia de "novos clássicos", produzida por Leonel Vieira, depois de O Pátio das Cantigas e O Leão da Estrela, com realização do próprio, sendo este terceiro título assinado por Pedro Varela. Confirmam-se as diretrizes do projeto, a começar pela colagem a estereótipos a meio caminho entre o pitoresco das telenovelas e as degradadas rotinas do stand-up. A evocação dos originais, lançados nos anos 30/40, reduz-se a um gadget promocional, aqui e ali "justificado" por um débil trocadilho de diálogo ou pela permanência irrelevante dos nomes das personagens principais.

Written by João Lopes 14 Jul, 2016
12. A educação faz-se com o futebol?

Os discursos dominantes sobre televisão tendem a recalcar o seu papel como instrumento de educação. A simples possibilidade de analisar o espaço televisivo como fator educacional é muitas vezes achincalhada, insinuando-se que quem coloca tal questão só estaria satisfeito se os noticiários fossem feitos com dissertações sobre a montagem das atrações de Eisenstein ou o primado das linguagens segundo Wittgenstein...

Written by João Lopes 19 Jun, 2016
13. A nossa sociedade do futebol

As imagens com mais visibilidade numa determinada sociedade constituem um fundamental índice do seu desenvolvimento cultural. Não estou a referir-me, entenda-se, ao "mercado cultural" e à circulação de obras a que se reconhece alguma dimensão artística. Falo de cultura no sentido mais visceral (e também, creio, mais essencial). A saber: a arquitetura dos valores que, melhor ou pior, definem o nosso viver coletivo.

Written by João Lopes 05 Jun, 2016
14. A nossa sociedade do futebol

As imagens com mais visibilidade numa determinada sociedade constituem um fundamental índice do seu desenvolvimento cultural. Não estou a referir-me, entenda-se, ao "mercado cultural" e à circulação de obras a que se reconhece alguma dimensão artística. Falo de cultura no sentido mais visceral (e também, creio, mais essencial). A saber: a arquitetura dos valores que, melhor ou pior, definem o nosso viver coletivo.

Written by João Lopes 05 Jun, 2016
15. A lição dos filmes de Cannes

Jaclyn Jose, uma das mais populares personalidades do cinema e da televisão das Filipinas, arrebatou, há uma semana, o prémio de melhor atriz da 69.ª edição do Festival de Cannes. A distinção, atribuída por um júri presidido pelo australiano George Miller (Mad Max), resultou do seu trabalho no filme Ma" Rosa, de Brillante Mendoza, crónica pungente centrada numa mulher que, com o marido, dirige uma loja (Sari Sari Store) de um bairro de Manila, lutando pela sobrevivência numa saga pontuada pelo tráfico de drogas, a corrupção da polícia e as mais cruéis formas de exploração do ser humano.

Written by João Lopes 29 May, 2016
16. A morte anunciada dos Marretas

Entre as memórias suscitadas pela morte de Prince, a sua passagem pelos Marretas (num episódio de The Muppet Show cuja primeira difusão ocorreu a 13 de setembro de 1997) suscitou especial emoção. A versatilidade do autor de Purple Rain permitia-lhe expor-se num registo paródico em que interpretava alguns acordes de uma canção country e mostrava até como era capaz de compor uma canção a partir de qualquer inspiração, incluindo o menu do almoço... Além disso, Prince atravessava a fase em que se identificava apenas por um símbolo (impronunciável), naturalmente suscitando o refinado humor dos bonecos dirigidos por Brian Henson.

Written by João Lopes 09 May, 2016
17. A alma de Stella Adler

Acerta altura, o filme Listen to Me Marlon apresenta um registo de Stella Adler (naquilo que parece ser uma aula com algum público a assistir) em que ela resume o trabalho que se pede ao ator: "A peça não tem nada a ver com palavras. Não se representa com palavras, representa-se com a alma."

Written by João Lopes 18 Apr, 2016
18. A Europa vista de Bruxelas

Vejo e revejo, dezenas e dezenas de vezes, as mesmas imagens. Quase todas as notícias televisivas sobre os atentados de Bruxelas são repetidamente "ilustradas" pelas mesmas imagens de telemóveis de passageiros apanhados no meio da tragédia, de câmaras que registaram os momentos de pânico, de reportagens com pessoas que testemunharam o horror... E relanço a pergunta que, em televisão, sempre se recalca: qual a lógica cognitiva e, mais do que isso, o efeito simbólico de tão insistentes repetições?

Written by João Lopes 27 Mar, 2016
19. A morte do cinema

O que é o 4DX? Digamos que neste momento de muitas especulações, discutir se será "bom" ou "mau" é coisa secundária. Posso até admitir que a sua implementação venha a contribuir para contrariar os prejuízos gerados pela pirataria, convidando muitos espectadores a regressar às salas.

Written by João Lopes 25 Mar, 2016
20. Corpo e alma

Há algo de desconcertante no facto de encontrarmos um ator como Christian Bale envolvido no fascinante labirinto de um filme como Cavaleiro de Copas. De uma maneira ou de outra, somos levados a reimaginá-lo como a encarnação de Bruce Wayne/ /Batman, dirigido por Christopher Nolan. O certo é que, sob a batuta de Malick, ele é alguém à deriva, por assim dizer à procura da sua própria personagem. Mais do que isso: interpretando um argumentista perdido na máquina de Hollywood, Bale expõe-se numa vulnerabilidade tocante, muito para além de qualquer cliché dramático. Nesta perspetiva, somos mesmo levados a revê-lo num registo muito mais primitivo, quando, com 12 anos, protagonizou o admirável Império do Sol (1987), de Steven Spielberg.Há outra maneira de dizer tudo isto: através do seu obsessivo questionamento existencial, Malick é um cineasta que desafia os atores a enfrentar as narrativas, não como a "ilustração" de uma ação, antes como um acontecimento específico e irrepetível em que, em última instância, se joga a misteriosa cumplicidade que aproxima a vida vivida e a vida representada. Podemos considerar que Cavaleiro de Copas é um filme sobre a vacilação de todas as fronteiras humanas: um flashback deixa de ser uma mera recordação de factos vividos para passar a funcionar como a perturbante atualização física desses factos; as próprias paisagens naturais, esplendorosamente fotografadas por Emmanuel Lubezki (há dias distinguido com o Óscar de melhor fotografia, por The Revenant: O Renascido), estão para além de qualquer noção decorativa, podendo, no limite, ser encaradas como cenários radicalmente interiores. Se nos ensinaram a desenhar uma linha entre corpo e alma, Malick filma dos dois lados, ensinando-nos a mais enigmática forma de liberdade.

Written by João Lopes 02 Mar, 2016
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